Economista propõe alteração do teto de gastos e investimentos em infraestrutura para reerguer a economia

O investimento em obras de infraestrutura de cunho social pode ser a saída para reerguer a economia após a pandemia. A opinião é do economista e consultor Rodemarck Castello Branco, que propõem também a retirada dos investimentos do teto de gastos públicos.

Aprovado em outubro de 2016, o teto de gastos impôs um ajuste nos gastos do governo com vistas ao equilíbrio das contas públicas. No entanto, a regra não protege gastos sociais e nem o investimento. O próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou, em relatórios recentes, a importância de manter algum nível de flexibilidade nas regras fiscais e a constatação de que regras rígidas tendem a ter impacto negativo sobre o investimento público em países emergentes.

Na opinião do economista, é inadmissível um país com uma capacidade tão pequena de investimento público diante de tamanha a necessidade de infraestrutura. E os investimentos para os próximos anos, devem ser públicos e privados com ênfase social, principalmente em saneamento básico.

“Um País que não tem infraestrutura básica é uma grande oportunidade de geração de empregos e de beneficiar a classe mais vulnerável, além de movimentar a economia. Nenhum outro segmento consegue movimentar toda a cadeia como a construção civil: vai dos investidores até a menor renda”, afirma Rodemarck Castello Branco.

Segundo o economista, a previsão mais conservadora é de que o Produto Interno Bruto do Brasil (PIB), passada a pandemia, tenha queda de mais de 5%, o que comprometerá também o ano de 2021, logo, “não tem condições de sobrevivência se não tiver uma injeção financeira e somente o Estado tem capacidade pra isso”, afirma.

Como exemplo, Rodemarck cita a atitude do governo americano durante a crise de 2008 e que entrou com muitos recursos, aumentando a liquidez dos contratos, chegando até mesmo a tornar-se acionista de banco, e proprietário de parte de empresas como Chrysler e General Motors, partes que foram vendidas posteriormente.

PIM será mais afetado

Em relação ao Polo Industrial de Manaus (PIM), o mais consolidado dos modelos econômicos do estado do Amazonas, o economista prevê uma crise superior à nacional por conta do foco na produção de bens de consumo duráveis, muito sensíveis à renda.  “A produção industrial tende a cair em níveis mais baixos de sua história. Em 2018 caímos 18%, acredito que cairemos em 25% e espero que pare por aí. Esse fato deverá gerar problema de arrecadação para o Governo do Estado, o que compromete a folha de pagamento. Será um período conturbado e nós precisamos, em cima disso, fazer as reflexões e construir o cenário para nos adequar a esse momento”, afirma.

Como alternativa, Rodemarck Castello Branco reforça a necessidade de investimento em obras. “Temos uma cidade que tem uma escassez enorme de habitações, saneamento. Neste momento, para gerar empregos e agregar mão de obra que não tem qualificação, nenhum setor é mais importante que a construção civil, pode-se, inclusive, partir de iniciativas de parcerias público-privada”, disse.

Ele afirma ainda que haverá a necessidade de realizar a integração de esforços entre Governo do Estado, Prefeitura, Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Sebrae, Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), afim de carrear recursos e dar assessoria para pequenas empresas. Também recomenda que a utilização dos recursos do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI), que já vem sendo utilizado para pagamento de despesas correntes.

No entanto, no curto prazo, pondera que é preciso fazer tudo o que for possível para salvar vidas. “Nada é mais importante do que salvar vidas; nenhuma sociedade é sadia cresce quando ela é utilitarista, quando faz essa relação entre vidas e economia”, afirma.

A análise foi feita pelo economista durante a participação dele, no  programa Economia em Debate, projeto de extensão do Curso de Economia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em parceria com o Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM).


Reportagem: Redação Amazônia sem Fronteiras

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