Túnel do tempo: Fla-Flu, o “Clássico das Multidões”

Flamengo e Fluminense é considerado um dos mais charmosos e maiores clássicos do futebol, que foi imortalizado pelo jornalista Mário Filho como o “Clássico das Multidões”. A partida entre as duas equipes é uma festa de cores, um carnaval fora de época que o Portal Amazônia sem Fronteiras conta nesta reportagem de Willian D’Ângelo.

O primeiro Fla-Flu foi disputado no dia 7 de julho de 1912, quando a equipe das Laranjeiras havia perdido nove titulares que foram abrir o departamento de futebol do time rubro-negro, que na época era uma potência no remo. O Flu venceu por 3 a 2, com Edward Cawert, do Flu, marcando o primeiro gol da história do clássico.

Após o primeiro jogo, foram 11 jogos seguidos de invencibilidade do Flamengo sobre o Fluminense, que ficou de 1912 até 1916 sem bater seu maior rival.

O Fla-Flu é cercado de muitas histórias e conquistas. No dia 22 de outubro de 1916, em um caso curioso, o Flamengo vencia o Fluminense por 2 a 1 quando o árbitro R. Davies marcou um pênalti contra o Fluminense. Rienner perdeu. Logo depois, marcou outro pênalti contra o Fluminense, Sidney cobrou e Marcos de Mendonça defendeu. O árbitro mandou cobrar outra vez alegando que não havia apitado. Sidney bateu e novamente Marcos de Mendonça defendeu. R. Davies mandou cobrar de novo, agora alegando que jogadores do Flu haviam invadido a área. Foi aí que o escritor Coelho Neto e o delegado Ataliba Correia Dutra pularam a grade e correram para o campo. Os torcedores também invadiram o gramado. O regulamento dizia que o jogo que fosse paralisado por cinco minutos seria suspenso definitivamente. Como a paralisação propositada foi além dos sete minutos, o jogo foi anulado. Foi a primeira anulação de um jogo de Campeonato Carioca.

Em 1925, a Seleção Carioca precisou ser convocada às pressas para disputar o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, e pela dificuldade de reunir os jogadores optou-se por convocar apenas jogadores de Flamengo e Fluminense, o que inicialmente causou repúdio popular, com os amantes do futebol referindo-se aquele time não como Seleção Carioca, mas como “Combinado Fla-Flu”. Esta Seleção Carioca acabou campeã, o que mudou o sentimento popular em relação a ela. O jornalista Mário Filho teve então, a capacidade de transformar um nome criado com uma imagem negativa, em nome próprio e marca registrada deste grande clássico conhecida mundialmente. O nome próprio, Fla-Flu, foi então dado para o clássico entre Flamengo e Fluminense por Mário Filho em 1933, quando procurava recursos para motivar o comparecimento das torcidas ao campeonato da recém-criada Liga de Futebol.

Em 1969, houve uma decisão histórica, quando o Fluminense vinha de resultados ruins nos anos anteriores, tinha um time ainda em formação, e, a bem da verdade, o Botafogo era o grande time do estado, mas não chegara à final. O Flamengo, treinado por Tim, chegou ao jogo decisivo como favorito, mas foram os tricolores que rasgaram o favoritismo e venceram: 3 a 2, gol de Flávio, o Minuano, artilheiro da competição, aos 38 minutos do segundo tempo.

A forra veio em 1972. O Flu vencera o Brasileirão em 1970 e tinha Félix, Marco Antônio e Gerson, todos titulares no tri da seleção na Copa do Mundo do México. Com grande atuação do time comandado pelo também campeão do mundo Zagallo, o Flamengo calou os tricolores e ficou com a taça: 2 a 1, gols de Doval e Caio Cambalhota.

Nos anos 80 o Flamengo de Zico, Leandro, Júnior e companhia registrou mais vitórias que derrotas, conquistando o Brasileirão, Libertadores e Mundial. O Fluminense, em algumas vezes, colocou “água na cerveja” adversária, conquistando títulos como os de 1983 e 1984, tendo o ataque carrasco formado por Washington e Assis.

Em 1989, Zico escolheria o Fla-Flu para se despedir do Flamengo, o meia jogou no sacrifício, mas mesmo assim fez o primeiro gol na goleada por 5 a 0 em cima do rival, esse dia ficou marcado como o dia em que milhões de torcedores ficariam órfãos do seu maior ídolo.

Os anos 1990 começaram com uma vitória do Flamengo sobre o Fluminense, em 1991. A base rubro-negra que venceu a Copa do Brasil em 1990 e seria campeã também em 1992 não deu chance ao Tricolor, liderado pelo o atacante Ézio, que marcou um golaço na decisão. Sob a batuta do “Maestro” Júnior, o Mengão venceu por 4 a 2 na na decisão e levantou mais uma taça.

Neste período, o badalado Flamengo de Romário, ídolo nacional e grande líder do tetracampeonato da seleção Canarinho na Copa do Mundo de 1994, chegava aos seus 100 anos de história. Tinha tudo para conquistar o estadual de 1995, mais acabou o sonho no famoso gol de barriga de Renato Gaúcho, aos 42 minutos do segundo tempo, com o Flu saindo campeão.

Muitos craques já passaram no Fluminense, como Gerson, Pinheiro, Carlos Alberto Torres, Thiago Silva, Preguinho, Branco, Ézio, Didi, Waldo, Romerito, Rivelino, Washington, Renato Gaúcho, Telê Santana, Assis e Castilho. Pelo Flamengo, Zico, Dida, Zizinho, Júnior, Leandro, Leônidas da Silva, Nunes, Domingos da Guia, Evaristo de Macedo, Gabigol, Zagallo, Rondinelli, Adílio, Romário, Petkovic, Doval, Silva Batuta, Valido e Carlinhos.

Neste domingo (12), Flamengo e Fluminense começam a final do Campeonato Carioca de 2020, a 63ª disputa por taça na história do clássico de 108 anos. Em números de conquistas estaduais, o Flamengo soma 35 títulos, contra 31 do Fluminense.

Reportagem: Willian D’Ângelo (Portal Amazônia sem Fronteiras)

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