Estudante de 18 anos morre após repressão policial em protesto na Colômbia

Um jovem estudante de 18 anos, Dilan Mauricio Cruz Medina, é a primeira vítima fatal das manifestações que tomam as ruas da capital Bogotá desde o dia 21 de novembro. Ele foi atingido por um disparo, aparentemente de bala de borracha, feito por um agente do Esquadrão Móvel Antidistúrbios da Polícia colombiana (Esmad). Dilan faleceu na noite de ontem, dia em que se formaria no ensino médio.

O estudante morreu em consequência das lesões cerebrais que sofreu, no último sábado, durante as marchas no centro de Bogotá, de acordo com comunicado do Hospital Universitário San Ignacio, onde ficou internado.

“Lamentamos informar que, apesar da atenção prestada durante esses dias em nossa Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Dilan Cruz, devido à sua condição clínica, acabou por falecer. Nossos sentimentos de condolências à sua família e às pessoas próximas a ele” , afirmou, em nota, o Hospital San Ignacio.

Dilan foi atingido quando participava de uma manifestação que exigia melhor acesso à educação. Ele queria estudar administração, mas precisava de um empréstimo para financiar seus estudos.

O momento do acidente foi captado em vídeo por diversas pessoas que estavam na marcha. Agentes do Esmad dispersavam os protestos, que tentavam chegar ao centro da cidade. Nas gravações é possível ver como Dilan e outros manifestantes corriam das bombas de gás lacrimogêneo e das granadas de efeito moral.

O jovem chegou ao hospital no sábado, às 17h, em estado crítico, com duas paradas cardiorrespiratórias e com um ferimento na cabeça. Segundo a imprensa colombiana, Dilan foi reanimado durante cerca de 15 minutos, ainda no local do acidente. Após ter sido encaminhado para o hospital, foi levado para a UTI, onde ficou em estado crítico, mas estável. Na tarde desta segunda-feira, o quadro de Dilan se agravou, levando-o à morte.

O presidente da Colômbia, Iván Duque, afirmou ontem que lamenta profundamente a morte do jovem. “Expressamos nossas sinceras condolências a sua mãe, seu avô e suas duas irmãs. Reitero minha solidariedade com esta família”.

O prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, afirmou, em um vídeo publicado no Twitter, que lamenta a morte de Dilan. Ele disse que vai acompanhar e apoiar a família do jovem.

Na noite de ontem, perto do hospital onde estava Dilan, centenas de jovens se reuniram para expressar solidariedade à família e exigir uma investigação. Para hoje (26), estão marcadas manifestações em homenagem ao jovem.

Os conflitos deixaram, até o momento, mais de 350 manifestantes feridos e 182 policiais. Cerca de 170 pessoas foram detidas. Três mortes foram registradas no dia 21 de novembro, no departamento de Valle del Cauca, no Sudoeste da Colômbia. Dilan foi a quarta vítima, a primeira na capital.

O presidente Duque determinou urgência nas investigações do caso, para “que se esclareça rapidamente a situação e sejam determinadas as responsabilidades”.

A Colômbia enfrenta uma greve geral convocada por sindicalistas, estudantes, professores e indígenas. As manifestações nas ruas são contra as políticas de Iván Duque, presidente do país há apenas quinze meses e com 69% de desaprovação.

Reportagem: Redação Amazônia sem Fronteiras

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