Túnel do Tempo: Ilhas Malvinas e a Copa de 1982

Foto: Divulgação
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Dezoito anos foi o prazo que a Espanha teve para preparar a Copa do Mundo de 1982. O país havia sido indicado ainda em 1964 no congresso da Fifa realizado em Tóquio, mesmo evento que deu ao México o Mundial de 1970 e à Alemanha o torneio de 1974. Nesses 18 anos, a Espanha mandou observadores para as Copas de 1966 a 1978.

No momento em que o planeta inteiro respirava futebol, brigadas militares entraram em ação. No dia 2 de abril, tropas argentinas invadiram as ilhas Malvinas, a mando do presidente-ditador Leopoldo Galtieri. O país tentava obter, à força, a soberania das ilhas que estavam de posse da Inglaterra desde 1833. Os ingleses venceram o conflito e o resultado teve consequência políticas para os dois países.

Os ingleses não achavam possível separar a Copa da Guerra, pelo menos enquanto os exércitos trocavam tiros nas Malvinas. Kevin Keegan, astro do English Team, chegou a sugerir que as seleções britânicas (Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte) boicotassem o Mundial se os argentinos lá estivessem. Para o bem do futebol, o boicote não aconteceu. O fim do conflito, curiosamente, aconteceu em 14 de junho de 1982, um dia depois que a Argentina, então campeã mundial, iria abrir a Copa, em duelo contra a Bélgica.

O Brasil vivia uma transição da ditadura dos anos de 1970 para a democracia. A abertura politica, que anistiou os exilados brasileiros, contagiou o esporte. O governo decidiu descentralizar o poder, concentrado nas mãos da CBD, e criou organizações próprias para cada modalidade. Assim nasceu a CBF com estatuto aprovado em 24 de setembro de 1979.

O time brasileiro estreou na Copa de 1982 contra a União Soviética cercado de expectativa. O time comandado pelo técnico Telê Santana virou o jogo com gols de belos chutes de Sócrates e Éder, vencendo pelo placar de 2 a 1.

Após a estreia, o Brasil conseguiu mais duas vitórias, vencendo a Escócia por 4 a 1, e Nova Zelândia por 4 a 0. Neste último jogo, Zico chegou a fazer um belo gol de meia-bicicleta.

Nas quartas-de-final, o time Canarinho enfrentou a Argentina de Fillol, Passarella, Maradona e Kempes. O Brasil conseguiu neutralizar o rival e venceu por 3 a 1, gols de Zico, Serginho e Júnior. Ramon Diaz descontou para os argentinos. No jogo contra a Itália, conhecido como a tragédia de Sarriá, o Brasil perdeu para a Itália por 3 a 2, e deu adeus a Copa de 1982.

 

Reportagem: Willian D’Ângelo

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